Os desvios da Igreja Adventista

Se estamos à espera de ver a nossa Igreja atacada, as suas crenças e fé questionadas, a sua razão de ser debatida e o seu propósito escrutinado, não deveremos ficar preocupados – sabemos que isso é um processo normal, irá suceder ainda mais, e só nos resta estarmos prontos. Creio mesmo que isso já vai acontecendo um pouco por todo o lado. Contudo, nem sempre conseguimos perceber bem a origem e razão desse tipo de situação. Fazem-nos confusão, perturbam a mente e até podem deixar algumas dúvidas no ar.

Estive a pensar em algo que tenho vindo a verificar e que me parece, pelo menos a uma pequena escala mas creio que não apenas, deve merecer a nossa maior atenção para não sermos apanhados desprevenidos, ou seguindo na vaga que, embora aparente ser pequena, leva tudo à frente.

Vou usar de um paralelo para me explicar. Conheço dezenas de católicos que, alguns há anos, são confrontados com as verdades bíblicas sobre os santos, Maria, o Sábado e outros assuntos, todos eles chocando, por vezes violentamente, com as crenças mantidas e acariciadas durante toda uma vida. E perante essa nova revelação, a grande maioria escolhe manter-se firme e determinada com a fé que um dia abraçaram. Embora eventualmente a coloquem em causa, criam uma barreira que além de naturalmente defensiva, também não enjeita partir para o ataque na defesa do que sempre acreditaram e que, agora, veem seriamente ameaçado. Uns talvez o façam por lapso, outros mesmo por convicção, alguns ainda por comodismo e outros sei lá mais porque série de razões. Para com todos eles, vejo-me forçado a admirar-lhes a militância e insistência…

Isto porque, em comparação, alguns adventistas, membros do tal grupo que se diz escolhido e especialmente favorecido por Deus para este tempo (algo que acredito totalmente!), não hesitam em colocar em causa uma vida de fé, prática e doutrinal, só porque “ouviram dizer” ou “está na internet” alguma (supostamente) nova revelação, algum segredo desvendado que abale tudo quando durante muito tempo foi construído e estabelecido no corpo de crentes. Não são capazes de ter um critério bem definido, não usam da simplicidade das pombas nem da astúcia das serpentes, nem sequer são minimamente espertos para dar o benefício da dúvida. Assim, o que surge de novo assume as credenciais da maior verdade alguma vez revelada e, em vez de se posicionarem no campo de batalha em defesa da verdade atacada, parecem sentir-se mais realizados e ultra comprometidos com a causa espalhando e proclamando aquilo que, na maior parte dos casos, se demonstra de fácil desmascaramento.

Quer alguns exemplos? Veja bem: o movimento da reforma, a doutrina da Trindade (ou Divindade), o estudo do santuário e as revelações proféticas para este tempo são alguns desses casos, para além de outras ações pontuais de irmãos aqui e ali. E, pense bem que, nestes casos, aparecem sempre aqueles “iluminados” que assumem para si uma mensagem crítica que todos precisam saber! Se calhar nunca foram ativos, envolvidos e empenhados na Igreja; mas agora, movidos por um espírito que não conhecem bem, gastam esforço, tempo, telefonemas, e-mails, recursos e tudo quanto teem à mão para cumprir o novo chamamento ao dever.

Por fim, uma análise distante e espaçada no tempo, permite facilmente concluir que, para além da fraude e falsa excitação, nenhuma dessas mensagens perdura ou se estabelece. Digo-o e repito: em cerca de 160 anos de história da Igreja Adventista, ainda estou para ver uma pessoa ou um grupo que, tendo a dado momento decidido atacá-la, denunciá-la e a todo e qualquer dos seus fundamentos, e até separar-se dela, tenha seriamente prevalecido, tenha atingido um sucesso que venha provar que Deus os estava a dirigir.

Por isso, caro amigo membro da Igreja Adventista, tenha muito cuidado e pense seriamente no que está a fazer quando sentir algum impulso, que até pode parecer um bom sentimento, que o leve a uma menor confiança no papel que esta Igreja desempenha neste momento da História do mundo. Avançar nesse caminho pode ser fatal. Antes, ocupe as suas energias em colaborar com distinta missão que a Igreja tem. Por tudo quanto as Escrituras ensinam, garanto-lhe que não será minimamente defraudado. E não se esqueça: não precisamos de novidades, mas sim de recuperar os marcos antigos.

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