Um profeta (moderno) chamado Jonas

Era uma vez um profeta chamado Jonas. Sua vida mudou completamente no dia que Deus lhe deu a ordem: “vai à cidade de Nínive e prega uma mensagem de advertência e arrependimento; diz-lhes que se não a ouvirem, terei de os destruir totalmente”.

Jonas tomou a decisão de cumprir com o mandato. Mas, antes de sair, informou o Pastor local da sua empreitada. Este, disse-lhe que precisava marcar uma reunião do Conselho para que a igreja se pronunciasse acerca desse projeto pessoal. Jonas achou que não seria necessário, pois Deus lhe tinha dado a ordem de forma bem concreta, mas o Pastor insistiu argumentado que não se podia provocar divisões nem tomar atitudes à revelia da igreja.

A reunião foi marcada, e Jonas voltou a apresentar a sua tarefa. Ao abrir-se o debate, o Pastor desde logo avançou que a igreja estava numa situação financeira muito debilitada e que esse tipo de plano iria provavelmente obrigar a um esforço incomportável, o que o tornaria inviável. Criticou ainda o facto de haver outras necessidades mais urgentes que não estavam atendidas e que Jonas parecia negligenciar.

Um irmão ancião pediu detalhes acerca da mensagem que Jonas deveria apresentar. Este, confirmou que se tratava de um ultimato divino aos ninivitas, que sem reserva deveriam mudar os seus comportamentos, sob pena de atingirem os limites da paciência divina, há muito clemente para com eles. O irmão ancião disse que essa postura não era a mais correta; o que se precisava era de uma mensagem de amor, que apelasse à paz e concordância entre todos, e que aquele discurso apenas provocaria ofensa, afastamento e más reações, colocando em causa o prestígio que a igreja vinha a granjear desde há algum tempo, nomeadamente através do trabalho humanitário e caritativo.

O diretor de jovens aproveitou para dizer que Jonas deveria repensar o plano, pois Nínive era um lugar muito secular, de difícil penetração, e que nem os jovens universitários e formados da igreja tiveram sucesso ao tentar alcançá-los. Todos se queixaram que naquele lugar quase ninguém queria ouvir da Palavra de Deus e foram consensuais em dizer que Jonas não iria ser muito eficaz.

Um outro irmão, queixou-se que nas atividades de caráter missionário há sempre pouca envolvência dos membros. Sugeriu que Jonas organizasse antes uma atividade desportiva ao Sábado à noite, ou mesmo um almoço de convívio que se estendesse pela tarde de domingo, em vez de optar por um ministério pessoal que todos apelidaram de independente.

Uma irmã perguntou se Jonas usaria uma apresentação em PowerPoint e, especialmente, alguma música de apelo interpretada por um nome sonante da igreja, com uma letra bonita e que manifestasse emoção pelos gestos e expressão fisionómica. Jonas respondeu que não, e a irmã disse que dessa forma a mensagem jamais seria atrativa e ninguém ouviria além da primeira vez.

Jonas assegurou-lhes que iria apenas apresentar a mensagem conforme Deus a tinha ordenado. Disse também que iria fortalecer-se com a inspiração profética que Deus tinha deixado à igreja para este tempo específico como legado especial para o ministério. Isto suscitou a mais decidida oposição, pois quase todos foram unânimes em dizer que esse discurso estava ultrapassado, e que o mundo moderno exigia novos métodos e abordagens.

A reunião foi encerrada. O Pastor e os irmãos ficaram contentes pois todos concordaram que Jonas queria fazer algo megalómano e impraticável. Quanto a Jonas, esse sabia que ordens tinha recebido de Deus, qual era a Sua vontade e qual a missão a cumprir.

E agora? O que deveria fazer Jonas…? Você decide.

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