Os adventistas adventistofóbicos

Vivemos numa era em que está na moda ser “qualquercoisofóbico”. Ainda que o prefixo do termo seja mais comumente usado a propósito de orientações sexuais, não precisamos da explicação técnica de um psicólogo para perceber que tem crescido o catálogo de fobias disponíveis, algumas evidentes, outras que precisamos de discernimento apurado para descortinar.

Como os adventistas do sétimo dia estão no mundo, não conseguem muitas vezes resistir a essa tendência de lhe copiar os costumes – na maioria dos casos isso é uma desgraça, noutros será mais inocente. Assim sendo, não podíamos deixar de criar um temor exagerado à nossa própria medida! E qual é essa nossa aversão personalizada? Pasme-se: conseguimos ser tão inovadores e pioneiros que a nossa fobia é o próprio Adventismo! E onde é que encontramos as pobres vítimas desse transtorno psicopatológico? Prepare o divã para a consulta ou, talvez mesmo, deite-se nele.

Se você for um membro antigo terá mais facilidade em perceber o diagnóstico; se estiver na igreja há pouco tempo, talvez nunca tenha sequer reparado nesse distúrbio mental que existe e parece aumentar no nosso meio. Olhe à volta e veja que, entre nós, não temos qualquer tipo de problema em exercitar um ministério que gire à volta de cuidados de saúde e temperança, serviço à comunidade, ajuda aos mais carentes e vulneráveis, bem como pregar e apreciar a pregação sobre o amor de Jesus e o seu dom da salvação em favor da raça humana. Isto evidencia-se, entre outras práticas, na oferta de rastreios, medições de todo o tipo, na distribuição gratuita de abraços, fatias de melancia, na pintura de paredes alheias, e também na partilha de pensamentos que quase nos fazem acreditar que “uma vez salvo, salvo para sempre” ou que, de uma forma ou de outra, todos estaremos um dia salvos. Fazê-lo, é relativamente fácil, agradável, faz-nos sentir bem connosco mesmos e somos aceites pelo outro. Visto noutra perspetiva: tudo isto está muito bem, é meritório e recomendável; mas em nada nos distingue de evangélicos, católicos, em alguns casos até de ateus.

Por outro lado, assim que surge a oportunidade (ou exigência!) de pregar a distinta e específica mensagem Adventista para este tempo, aquela que precisa forçosamente explicar Apocalipse 13, 17 e Daniel 7, 8, que obriga a mencionar Roma e todo um mundo babilonicamente moldado e que carrega em si uma apostasia mortal, ergue-se vigorosamente entre nós uma “adventistofobia” atroz sob o pretexto de que “não podemos magoar as pessoas”, “isso é um discurso ofensivo e arrogante”, “não podemos julgar os outros”, e toda uma panóplia de argumentos inventados e que são fatores de demissão quanto à razão do nosso surgimento e existência como último degrau na escada da reforma. Ou seja, o sonido certo à trombeta é castrado por aqueles que, entre nós, teem vindo a perder a noção dos sagrados motivos pelos quais este povo foi suscitado.

Resultado: ser um verdadeiro Adventista do Sétimo Dia, com tudo quanto isso carrega de missão e mensagem Adventista intrínseca, distinta e especificamente dirigida a um mundo que vive nos últimos dias da sua história, torna-se um ato de coragem e ousadia santas, cujos primeiros obstáculos não são provocados pela ameaça de prisão ou fogueira, mas sim o fruto da demência espiritual que deixamos criar entre nós.

Há cura para a doença? Certamente que sim! Leia este texto e pense bem na última frase:

“Enche-se-me de angústia o coração ao pensar eu nas mensagens desinteressantes pregadas por alguns pastores nossos, quando têm para pregar uma mensagem de vida e morte. Os pastores estão dormentes; estão-no também os membros da igreja; e um mundo perece em pecado. Queira Deus ajudar o Seu povo a despertar, e andar, e trabalhar como homens e mulheres que estão nas fronteiras de um mundo eterno. Logo uma surpresa terrível sobrevirá aos habitantes do mundo. Imprevistamente, com poder e grande glória, Cristo virá. Não haverá, então, tempo de preparo para encontrá-Lo. Agora é o tempo de proclamarmos a mensagem de advertência.” (Ellen White, Testimonies, v. 6, p. 29)

 

 

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