A minha posição sobre a Igreja Adventista do Sétimo Dia – Movimento da Reforma

Alguns anos atrás tive a oportunidade de manter algum contacto com a Igreja Adventista do Sétimo Dia – Movimento da Reforma. Por entender que o momento possa ser oportuno, partilho um breve relato da minha experiência com este grupo. O objetivo não é fazer comentários ou avaliações de índole pessoal (até porque, não mencionarei pelo nome pessoa alguma); apenas e só transmitir um pouco do que experimentei e aprendi, na esperança de que possa vir a ser útil a alguém.

Tudo se originou quando comecei a ser contactado via correio eletrónico por um alto responsável do Movimento da Reforma em Portugal. Na primeira mensagem, a pessoa em causa fez-me saber que por acompanhar algumas das minhas publicações online, tinha percebido um “espírito reformista” (cito as palavras exatas) no que eu escrevia, e como tal sentiu-se na liberdade de se apresentar bem como à comunidade a que fazia parte. Agradeci a intenção e começamos uma troca de mensagens.

Devo dizer que recebi essas primeiras mensagens com o maior interesse, uma vez que pouco ou nada conhecia do Movimento da Reforma, e esta seria uma boa oportunidade de colmatar essa lacuna. Além disso, tudo o que me enviava era extremamente respeitoso, cortês e dentro de um espírito muito bom de conversa cristã.

Inicialmente, o meu interlocutor teve o cuidado de apresentar genericamente o Movimento da Reforma. Contudo, e logo após algumas observações e comentários meus, ao entrar no detalhe começou a mencionar e listar os graves erros – na opinião do Movimento da Reforma – da nossa Igreja e dos seus líderes, que há cerca de 100 anos deram origem ao Movimento da Reforma. Reforço que tudo isto foi feito dentro da maior ordem e respeito possível, sem evitar que as acusações à Igreja Adventista fossem subindo de tom e gravidade.

E aqui, chamo a sua particular atenção para algo – tenho a profunda convicção que, ao ler esses relatos que me eram enviados, Deus colocou na minha mente um pensamento que não me largava: “estás a saber o que os reformistas dizem da Igreja Adventista; seria boa ideia saber também o que a Igreja Adventista diz dos reformistas!” E, de facto, foi isso que aconteceu. Falei com algumas pessoas de confiança e fiz alguma pesquisa, na qual fiquei a saber que a Igreja Adventista tem documentos oficiais, ao mais alto nível, sobre o Movimento da Reforma. Aproveitei e li alguns dos que me pareceram os mais relevantes. Assim, tinha melhor capacidade para exercer o que Paulo ordena: examinar tudo e reter o bem.

Reforçando o ponto anterior, faço um primeiro apelo a todos os adventistas do sétimo dia, em especial aqueles que pela primeira vez contactam com o Movimento da Reforma: quando confrontado com alegações menos abonatórias acerca da Igreja Adventista, seja honesto consigo mesmo e permita que a nossa Igreja se defenda com a sua posição sobre o Movimento da Reforma.

Em meio a esta troca de mensagens e ao que ia sabendo, fui convidado para me encontrar pessoalmente com esta pessoa. Inicialmente não dei resposta, mas pela insistência acabei por aceder, sem qualquer desconforto ou menor vontade. Combinamos um encontro na sala que o Movimento da Reforma usava em Vila Nova de Gaia para as suas reuniões. E assim, num domingo pela manhã, tive oportunidade de conhecer pessoalmente quem me tinha contactado e com quem tinha estado em contacto por escrito.

Tratava-se de um senhor que tinha idade para ser meu pai, muito afável e delicado. Mostrou-me a humilde sala onde se reuniam, bem ordenada e desprovida de qualquer adorno ou arranjo rebuscado. Conversamos ali um pouco, sempre de forma muito agradável. Já quase no final da conversa, tive duas surpresas: primeiro, a entrada na sala de dois membros de uma Igreja Adventista aqui da zona que, de forma entusiasmada, me disseram que quase já não frequentavam a Igreja Adventista, e sentiam-se bem ali no Movimento da Reforma; a segunda, fui presenteado com um exemplar de um livro de saúde que, na altura, se vendia pela televisão, e um outro livro escrito por um pastor reformista.

Algumas semanas mais tarde, recebi insistentemente um outro convite, desta vez para a inauguração da nova sala do Movimento da Reforma em Vila Nova de Gaia. Confesso que pensei seriamente se deveria ir – seria ao Sábado (de tarde), um encontro oficial e formal do Movimento da Reforma. Uma pessoa da minha igreja recomendou-me mesmo que talvez não devesse ir. Decidi finalmente ir, acredito que motivado mais pela insistência no convite do que pela curiosidade em si.

Quando lá cheguei, entrei e fui imediatamente recebido pela pessoa que conhecia desde o início, que ainda era um dos principais responsáveis. Fui apresentado a algumas pessoas, mostraram-me o espaço e fui convidado a sentar-me para assistir à cerimónia, que constou de cânticos, oração, algumas breves palavras de ocasião e a apresentação de um tema específico, por coincidência, algo com o qual concordei totalmente. No final, à saída, ofereceram-me um estudo da escola sabatina do Movimento da Reforma – gostei bastante do método de produção das lições deles – e um livro de um outro autor, penso que do presidente da Conferência Geral do Movimento da Reforma.

Neste processo, foram passando alguns meses. Até que, numa das trocas de mensagens por correio eletrónico que continuaram, respondi dizendo que tinha estudado o assunto por mim mesmo e que sentia a minha convicção mais forte por pertencer à Igreja Adventista do Sétimo Dia. Disse também que entendia não haver razões para separação e a formação de um grupo fora desta igreja, seja lá por que razão for, e que estava absolutamente convencido que a Igreja Adventista do Sétimo Dia é, e será até ao fim, o povo portador da mensagem e missão finais de Deus a este mundo. Fundamentando-me com textos da Bíblia e dos testemunhos da irmã White, não pude deixar de desmontar alguns argumentos descontextualizados e com falta de rigor que eram usados para sustentar as posições do Movimento da Reforma – em alguns casos apontei mesmo contradições com o Espírito de Profecia.

As respostas que recebi nunca abordaram frontalmente as minhas questões e os meus argumentos – normalmente, baseavam-se naquilo que mais tarde entendi como sendo um discurso único, pré-formatado e, direi mesmo, cego. E foi aqui que a postura do amigo reformista que me escrevia mudou radicalmente. Agora, os seus textos eram declaradamente agressivos, pessoais – do género “não sei como o irmão consegue fazer parte de uma igreja apóstata e caída!”.

O que entendi disto foi que ao não conseguirem dobrar-me, trataram de me denunciar como um herege. Porquê? Preste atenção ao que direi de seguida: o que aprendi do Movimento da Reforma, e fica como meu testemunho, é que a razão essencial da sua existência é apontar os (supostos) erros da Igreja Adventista do Sétimo Dia, acusando-a de ter caído da graça de Deus como Seu povo peculiar, atributo que agora reclamam para o Movimento da Reforma. Além desta argumentação, o Movimento da Reforma não tem praticamente nada para usar como defesa e fundamento para a sua existência.

Se reparar bem, há uma caraterística do Movimento da Reforma que é comum a todos os grupos ou pessoas dissidentes da Igreja Adventista: a sua ação evangelística é dirigida essencialmente aos membros da Igreja Adventista e não outras pessoas. Não acha isto estranho? Podia até ser, mas não é; trata-se apenas de praticar o curso natural de um método que reside à essência do Movimento da Reforma: manter-se, afirmar-se pelo erro e denúncia da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Dito isto, tenho de afirmar que concordo com várias das observações e críticas que o Movimento da Reforma faz à Igreja Adventista. Existem sim graves problemas entre nós que, não poucas vezes, incorrem em severa apostasia e infidelidade para com o Senhor da igreja (aliás, hoje estou convencido que os reformistas nem fazem ideia que quão religiosamente poluídos nos tornamos em alguns aspetos).

Sem entrar em muitos argumentos históricos e até teológicos, a verdade é que, desde a queda, a igreja de Deus sempre foi assim (adoramos bezerros, sacrificamos filhos, etc.). No entanto, não vejo nenhuma evidência, vantagem, conselho ou ordem, seja da Bíblia ou dos testemunhos inspirados para este procedimento de separação de deu origem ao Movimento da Reforma (e também outros grupos distintos deste). O que vemos, sim, é Deus a ordenar a saída, mas da Babilónia para o Seu povo, não o contrário! E sabe como é que o Movimento da Reforma contorna esta questão? Apelidando a Igreja Adventista como sendo parte de Babilónia.

Perante isto, leia atentamente este texto de Ellen White:

“Meu irmão, se estais ensinando que a Igreja Adventista do Sétimo Dia é Babilónia, estais errado.” Testemunhos Para Ministros, p. 59

Finalizo apelando: sendo que cada pessoa é livre de escolher o caminho que quiser, não dê ouvidos ao Movimento da Reforma e aos seus pastores e membros. Todos eles são, pelo menos a grande maioria, não tenho a mínima dúvida, pessoas honestas e sinceras que buscam o melhor para si e o seu próximo. Contudo, não é Deus quem dirige esta igreja! Por muito desgraçados e miseráveis que sejam os membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia – e somos mesmo! – este é o povo especial do Senhor para o tempo em que vivemos.

Se porventura sentir a tentação de ouvir e atender às reclamações do Movimento da Reforma, leia este texto de Ellen White, relacionado ao anterior, e pense novamente:

“No mundo só existe uma igreja que presentemente se acha na brecha, tapando o muro e restaurando os lugares assolados. Sejam todos cuidadosos para não clamarem contra o único povo que está cumprindo a descrição dada do povo remanescente, que guarda os mandamentos de Deus e tem a fé em Jesus.” Testemunhos Para Ministros, p. 59

O que o Movimento da Reforma tem feito é espalhar, não ajuntar. Tenha cuidado para não ser achado na mesma posição.

Para mais informações e documentos sobre o Movimento da Reforma, consulte aqui.

PARTILHE ESTE ARTIGO!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *