A saída do Reino Unido da União Europeia e Daniel 2

Num referendo aguardado com enorme expectativa, o povo do Reino Unido votou ontem a favor da saída da União Europeia. Com uma participação massiva de eleitores (mais de 72% foram às urnas), 51,9% escolheram sair, contra 48,1% que preferiam permanecer – o que resulta numa diferença de 1.269.501 votos a favor da saída.

Apesar de ainda não terem passado muitas horas da divulgação oficial destes resultados, as ondas de choque já se sentem um pouco por todo o mundo, em especial na Europa. Num breve discurso, esta manhã, em que disse que “o povo britânico votou para sair e a sua vontade tem de ser respeitada”, o Primeiro-ministro britânico David Cameron anunciou a sua demissão do cargo, com efeito no próximo mês de outubro. A abertura da bolsa de Londres registou a maior descida da libra em relação ao dólar para níveis não registados desde 1985. Muitos líderes europeus já manifestaram o seu grande desalento pelo resultado do referendo – o presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Junker, disse que “os separatistas não serão recebidos de volta de braços abertos”. O Primeiro-ministro da Bélgica sugeriu um “conclave para definir prioridades e estabelecer um novo futuro para a Europa”. Simultaneamente, muitos políticos anti-União Europeia em França, Holanda, Finlândia e Itália já afirmaram que os seus países devem seguir procedimento semelhante de consulta ao povo.

Para os Adventistas do Sétimo Dia, tudo isto remete imediatamente para Daniel 2, onde a profecia aponta para uma Europa dividida no período pós-Império Romano (pés de ferro e barro, Dan. 2:33), algo que permaneceria até à volta de Jesus. Este raciocínio encontrou alguns desafios quando, após a II Guerra Mundial, foram feitos esforços de unificação da Europa, entre os quais a União Europeia como a conhecemos hoje. Assim, naturalmente, esta saída do Reino Unido vem reanimar e fortalecer novamente este entendimento profético.

Contudo, permita-me lançar a pergunta: e se o povo do Reino Unido tivesse escolhido permanecer? Estaria a União Europeia fortalecida e o nosso entendimento profético comprometido? Não, de forma alguma! E a razão é simples: a verdade é que o ferro e o barro não se unem, mas também é verdade que eles estão juntos, lado a lado. Veja que em Apocalipse 16:13, 14 é anunciado que três espíritos impuros vão até aos reis da terra para REUNI-LOS para o grande dia do Deus Todo-poderoso.

Ora, certamente que os reis (ou reinos, nações) da Europa estão aqui incluídos nesta reunião. O versículo 16 diz que eles serão reunidos para o Armagedon, a última batalha na tentativa de destruir o povo de Deus. Isto quer dizer que, embora haja diferenças entre eles que podem provocar separação, ainda assim estarão reunidos, estarão lado a lado num único objetivo. Portanto, ferro e barro não se unem – as nações da Europa não se unirão; mas, ferro e barro estão juntos, lado a lado nos pés da estátua – por isso, as nações da Europa estarão lado a lado em muitas organizações e propósitos. Mais: os pés da estátua só se desmoronam ou destroem quando são atingidos por uma pedra lançada por mão não humana (Dan. 2: 34, 35). Isto indica que as nações da Europa permanecerão lado a lado, mas não juntas, não unidas, não ligadas até à volta de Jesus.

Uma coisa não nos podemos esquecer: não é unicamente o que a História nos vai mostrando que fundamenta a nossa fé na Bíblia e na profecia; é a própria profecia que nos permite ver por antecipação aquilo que certamente irá suceder, ainda que por vezes, aparentemente, isso pareça mais difícil. A Bíblia tem razão e sempre terá. O resto é História.

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