O descréscimo nas igrejas protestantes

Não é uma questão recente, mas muito se discute atualmente, mesmo no âmbito da Igreja Adventista, os problemas de perda de membros das igrejas ditas protestantes. Em alguns casos, longos estudos são realizados, consultam-se especialistas, organizam-se comités e painéis de discussão, estratégias são pensadas e implementadas, tudo para tentar perceber melhor o fenómeno e combatê-lo. No final, tudo tem resultado em tempo e recursos desperdiçados, uma vez que a tendência se tem mantido e acentuado.

Sobre este assunto, uma notícia publicada esta semana pelo sítio Gospel Prime, dá conta que, a manter-se este declínio, daqui a 25 anos pode não haver mais as chamadas denominações tradicionais, mais históricas e ortodoxas – esta é a conclusão de (mais) uma análise ao assunto, feita pelo Pastor Batista Ed Stetzer.

O entendimento deste pastor é claro: a “teologia liberal e sem ênfase na evangelização”, aliada ao facto de que “ao longo das últimas décadas, as denominações protestantes tradicionais abandonaram doutrinas centrais que passaram a ser consideradas ofensivas para a cultura”, tem contribuído para esvaziar as igrejas em vez de, como se alega, adaptá-las e torná-las relevantes no mundo moderno.

Um outro dado complementar da notícia, refere que “o Centro de Pesquisa Pew indicou em 2015 que as igrejas de teologia liberal nos Estados Unidos estão perdendo quase um milhão de membros por ano”. Resumindo: o problema apontado é que a aculturação ao mundo que as rodeia tem causado perdas para as igrejas; paradoxalmente, a solução que tem sido proposta passa por adequar a igreja à cultura que a rodeia! Dito de outra forma: combate-se a doença com mais doença ainda.

Sei que muitos de nós são avessos a fazer distinções entre conservadorismo e liberalismo. Eu não sou, e creio que, mesmo a partir de uma simples análise à teologia e aos comportamentos, é bastante fácil perceber a propensão natural a cada orientação – o liberalismo tem uma disposição demasiado fácil para moldar a igreja conforme a cultura social que a rodeia; o conservadorismo tenta manter os traços históricos distintos e específicos da igreja, mesmo em face a severa pressão e oposição da corrente liberal, normalmente muito forte ao nível das lideranças.

Estão os Adventistas do Sétimo Dia imunes a isto? Consideremos algumas instruções de Ellen White que parecem bem a propósito deste assunto:

“Aqueles que, em sua sabedoria humana, procuram esconder as características peculiares que distinguem do mundo o povo de Deus, perderão sua vida espiritual, e deixarão de ser sustentados por Seu poder.” (Testemunhos Para a Igreja, v. 6, p. 250)

“Foi-me apresentado um grupo com o nome de adventistas do sétimo dia, o qual estava aconselhando que a bandeira ou sinal que nos torna um povo distinto, não devia ser salientada de maneira tão chocante; pois pretendiam que esse não seria o melhor método para assegurar êxito a nossas instituições. Não estamos, porém, em tempo de arriar nossa bandeira, de nos envergonharmos de nossa fé. Esta distinta bandeira, descrita nas palavras: “Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus”, deve ser levada através do mundo até ao fim do tempo de graça. … Cumpre que a verdade alcance as almas prestes a perecer; e caso ela seja de algum modo oculta, Deus é desonrado, e sobre nossas vestes se encontrará o sangue das almas.” (Conselhos Sobre Educação, p.130)

“Embusteiros surgirão com teorias que não têm nenhum fundamento na Palavra de Deus. Cumpre-nos segurar no alto a bandeira que leva a inscrição: “Os mandamentos de Deus e a fé de Jesus.” Devemos conservar firme o princípio de nossa confiança até o fim. Ninguém tente diluir a verdade com uma mistura de sofisma. Ninguém tente arrancar o fundamento de nossa fé, ou arruinar o modelo trazendo para o tecido fibras de imaginação humana.” (Carta 249, 1903)

“Nesta época, quando tanto nos aproximamos do fim, tornar-nos-emos tão semelhantes ao mundo, na maneira de viver, que os homens em vão busquem encontrar o professo povo de Deus? Venderá alguém nossas características peculiares, como povo escolhido de Deus, por qualquer vantagem que o mundo ofereça? Será considerado de grande valor o apoio dos que transgridem a lei de Deus? Suporão os que Deus denominou Seu povo que haja qualquer outro poder mais forte do que o grande EU SOU? Procuraremos obliterar os pontos distintivos da fé que nos tornou adventistas do sétimo dia? (Evangelismo, p. 121)

PARTILHE ESTE ARTIGO!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *