Guerras e rumores de guerras

O dia de hoje na sede das Nações Unidas em Nova Iorque foi marcado pelo primeiro discurso de Donald Trump diante da assembleia-geral desde que foi eleito. À sua maneira, o presidente americano foi bem incisivo nas palavras, não desapontando naquilo que tem sido uma sua imagem de marca.

Convém mencionar que a intervenção de Trump foi antecedida pelo discurso do secretário-geral da ONU, António Guterres. Num momento de grande tensão entre várias nações, o líder da ONU fez um forte apelo ao diálogo entre partes, ao consenso e à resolução pacífica de conflitos e divergências entre todos, na linha daquilo que se exigirá de alguém que está numa posição representativa e até mesmo de mediação.

Logo depois, Donald Trump tomou a palavra para, curto e grosso, disparar sem misericórdia em todas as direções: Coreia do Norte, Irão, Síria, Cuba e Venezuela foram visados em particular tendo em conta cada caso específico, incluindo a menção de dirigentes políticos pelo nome. Contudo, foi o país do leste asiático que mereceu a referência mais dura e violenta do discurso do presidente americano. Em meio à incerteza e apreensão quanto aos recentes ensaios balísticos coreanos e à sensível ameaça nuclear, Trump disse que, caso outra solução não seja possível, contempla a hipótese de “destruir totalmente” a Coreia do Norte.

Claro que os opinadores e fazedores de opinião sempre prontos a intervir, logo tomaram os microfones da imprensa sempre disponível para mais um ato de solene cumplicidade, para denunciar o vil e irascível comportamento de Trump, classificando-o com os mesmos atributos que, genericamente, se usam há meses: um déspota de tendências arbitrárias e ditatoriais que, ele sim, é um perigo para a paz mundial.

Neste contexto, façamos um raciocínio: ao longo das últimas décadas, quais foram os resultados do diálogo, da procura de consenso e entendimento pacífico com grupos como Hezbollah, Al-Qaeda e Estado Islâmico, para citar alguns exemplos? Resposta simples: nada, rigorosamente nada. Assim sendo, andam a tratar a doença com um remédio que não resulta, insistindo sempre no administrar da mesma medicação. Enquanto isso, bombas continuam a rebentar nas estações ferroviárias das cidades, agora também com a trágica inovação das viaturas descontroladas que ceifam vidas nas praças ali ao lado.

Isto para dizer que é quase totalmente seguro que guerras e rumores de guerras continuarão a ser escutados pelos corredores do poder mundial. Nações continuarão a falar e levantar-se contra nações, lutas e conflitos serão uma constante que poder algum poderá estancar. As ambições de paz continuarão a ser apenas uma miragem em que, dados os factos e evidências, ninguém seriamente acreditará. Não se vê forma de alterar este estado de coisas, a não ser que aconteça algo de muito extraordinário, assim ao jeito de um intermediário e mediador reconhecido que atue à medida das divergências entre cubanos e americanos.

O azar é que isso era no tempo de socialistas em todos os (três) lados. Mas quando uma figura é consensualmente reconhecida, tudo pode mudar num instante.

PARTILHE ESTE ARTIGO!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *