A crítica e o apoio a Donald Trump

Em termos de presidentes americanos, tenho memória de todos desde a década de 1980 – sucessivamente: Ronald Reagan, George H. Bush, Bill Clinton, George W. Bush, Barack Obama e, presentemente, Donald Trump.

É verdade que os primeiros dessa curta lista exerceram num tempo em que não havia a escala de informação e meios ao nosso dispor hoje; mas creio não estar a exagerar se disser que nenhum deles foi tão permanentemente criticado e de forma tão insistente como o atual presidente.

Uma vez que acompanhei o processo que levou Donald Trump à presidência americana, desde o anúncio de candidatura, a campanha eleitoral, a sua vitória sobre Hillary Clinton e, depois, também o primeiro ano de presidência, tenho estado atento não apenas àquilo que Trump tem feito mas também àquilo que dizem sobre ele, nomeadamente os meios de comunicação mainstream, aqueles que pela sua natureza alcançam mais gente.

Diz-se que o homem é arrogante, prepotente, racista, misógino, machista, supremacista, discriminador, segregador, preconceituoso e contra os direitos humanos, isto para mencionar os termos mais simpáticos, já que ainda poderíamos incluir nazista e apartheidista.

Porventura um dos mais notórios e espantosos exemplos é o livro, publicado em outubro de 2017, “O Caso Perigoso de Donald Trump”, no qual 27 psicólogos, psiquiatras e outros profissionais de saúde mental avaliam a saúde mental do presidente americano baseando-se para isso nos seus discursos e comportamentos (se você é profissional destas áreas, saiba que os autores defendem a isenção da regra Goldwater para o caso de Trump…), considerando que ele é uma ameaça à saúde mental de toda a população e comporta um grave risco para a segurança do país e do mundo. Estaline, Pot, Mao e a família Kim, entre outros, ficariam invejosos…

Contudo, uma visão atenta permitirá perceber um padrão muito interessante, que é bem simples de discernir: Trump é alvo de críticas do setores seculares, incluindo governos, imprensa e organizações.

Neste contexto, durante alguns meses reparei um caso paradigmático num jornal português de grande circulação: todas as semanas eram publicadas duas ou três notícias pejorativas para Trump. E não pense que eram necessariamente notícias sobre política ou economia; bastava o presidente americano erguer um pouco mais a voz assustando os passarinhos na árvore mais próxima, que logo surgia uma notícia para denegrir o seu vil e atroz caráter. Acho que as publicações cor-de-rosa podiam extrair daqui um filão.

Por outro lado, há um setor que se tem mostrado muito agradado com a prestação de Trump como presidente: os evangélicos, a direita religiosa americana. O exemplo mais marcante disto foi a recente euforia generalizada deste grupo quando Trump reconheceu Jerusalém como capital do estado de Israel.

Portanto, os últimos tempos têm acentuado aquilo que escapa à leitura da maioria, mas não deve escapar aos atentos à profecia bíblica: a presidência americana de Donald Trump tem polarizado imenso as partes em torno de questões do foro religioso: evangélicos vs. seculares, conversadores vs. progressistas.

Não tendo sido apoiado desde o início por muitas e influentes figuras do partido republicado, Trump encontrou o suporte necessário junto do setor evangélico. Até hoje, ainda se levantam vozes dentro do próprio partido criticando Trump; não admira, portanto, que ele continue a refugiar-se junto daqueles que, grosso modo, o propuseram e carregaram até à Casa Branca. Tudo isto tem de refletir-se em políticas e decisões que agradam cada vez mais ao setor religioso e, simultaneamente, enfurecem cada vez mais a ala secular. Isto resulta em que as partes estão cada vez mais afastadas e divergentes.

Profeticamente, será este o início do contra-ataque violento da religião cristã contra o secularismo (Daniel 11:40)? Para o confirmarmos, Trump tem mais três anos de presidência. Pelo menos…

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