O que eu aprendi com os mórmons

Enquanto estava na colportagem, passei com um colega junto de uma igreja mórmon que estava com a porta aberta. Como tínhamos livros de saúde e para crianças, decidimos entrar. Fomos rapidamente encaminhados para um bispo responsável naquela igreja, que estava presente e que nos recebeu muito bem, inclusive fez-nos uma visita guiada pelas instalações da igreja (e ficou bastante surpreendido por sabermos quem eram Joseph Smith e Moroni).

Finalmente, explicamos a razão da nossa presença naquele local: gostaríamos de mostrar aos bispos e membros os vários livros sobre saúde e educação, e por isso apresentamos todos os títulos que tínhamos ao bispo. Ele achou tudo muito interessante e convidou-nos a regressar no dia seguinte.

Assim fizemos, desta vez munidos com vários exemplares de “O Grande Conflito” para oferecer aos líderes que lá estivessem. Recebeu-nos um diácono que também tínhamos conhecido no dia anterior e que, desta vez, nos apresentou a um outro bispo que liderava aquela região. A reação deste senhor foi de muita reserva, tendo mesmo recusado receber o livro que tínhamos para oferecer.

Aqui está justamente o primeiro aspeto importante que eu aprendi com os mórmons – a razão pela qual o bispo recusou receber o livro que eu tinha para oferecer foi, nas suas próprias palavras: “A nossa igreja tem tantos livros, que eu nem consigo ler todos; por que razão haveria eu de ler um livro da sua igreja?” Bem tentei explicar-lhe o conteúdo sobre a história do cristianismo que o livro incluía, que não conseguiria encontrar noutra fonte, mas ele foi inflexível, nada o demoveu – não aceitou o livro.

Creio que os adventistas podem fazer a mesma pergunta: temos as Escrituras, milhares de páginas dos escritos inspirados de Ellen White e até mesmo muitos outros livros e materiais que vão surgindo por destacados e consagrados homens que fazem parte do povo de Deus – por que razão teremos necessidade de ir beber a fontes externas…?

A juntar a isto, surgiu a segunda coisa que aprendi com os mórmons nesse dia.

Depois da conversa anterior com o bispo, fui reconduzido novamente ao diácono com quem tinha falado, que me informou que até poderíamos apresentar aos membros os livros de saúde e educação, mas não poderíamos vender ali nas instalações da igreja, e que a própria igreja não iria comprar um único livro, nem mesmo a excelentemente ilustrada “A Bíblia Contada às Crianças” que ele e outros tanto tinham gostado. A razão, nas palavras desse diácono, foi: “Aqui na igreja só usamos materiais que são da nossa Igreja.

Na sequência da questão anterior, podemos ainda perguntar: por que razão trazemos para as nossas igrejas e púlpitos recursos que não são adventistas? Bem sei que existem materiais que, em alguns pontos, se alinham com a nossa visão; mas o que temos visto é uma invasão de conteúdos, métodos e práticas que não encontram o devido fundamento nas Escrituras ou na revelação inspirada de Ellen White. Atualmente, o risco é enorme, com tendência para aumentar…

A título de exemplo, recordo uma ocasião em que, durante uma campanha de evangelização, assisti ao orador falar durante quase uma hora, não tendo usando qualquer versículo da Bíblia mas lançando mão de alguns textos dos livros apócrifos. Noutro momento, recebi um telefonema preocupado de alguém que assistiu, numa igreja adventista, a um sermão que tinha constado quase exclusivamente da leitura e recitação de vários trechos de um agora célebre psiquiatra brasileiro. Numa formação na qual participei, há vários anos, e na qual estavam pastores e anciãos, foram recomendadas obras católicas para a preparação de sermões, mas, por exemplo, o Comentário Bíblico Adventista passou estranhamente ao lado. Isto, para não falar dos pastores que, no passado, não sei se agora continua, enviamos para as formações religiosas de Rick Warren e outros do mesmo género.

O segundo livro dos Reis, capítulo 5, conta a história da cura de Naamã, capitão do exército do rei da Síria. Por recomendação de uma menina quase desconhecida, este oficial foi enviado ao profeta Eliseu na busca de solução para um problema que naquele tempo não tinha solução: a lepra.

Através do seu servo, a ordem de Eliseu a Naamã foi:

“Então Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vai, e lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será curada e ficarás purificado.” II Reis 5:10.

Portanto, Eliseu ordenou que Naamã mergulhasse no Jordão, um rio israelita.

Naamã reagiu mal:

“Porém, Naamã muito se indignou, e se foi, dizendo: … Não são porventura Abana e Farpar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Não me poderia eu lavar neles, e ficar purificado?” II Reis 5:11,12.

O oficial sírio entendeu que as águas do rio israelita não eram tão boas quanto as águas dos rios da sua própria nação, e por isso pretendeu não respeitar a indicação que Eliseu tinha dado.

Apenas após a insistência de seus servos (v. 13), Naamã reconsiderou e foi mergulhar no Jordão sete vezes, após o que ficou curado.

Certamente que Eliseu conhecia a qualidade das águas sírias; mas a sua mensagem de cura tinha sido bem clara: é o nosso Deus que faz o milagre, é na nossa água que ele terá de mergulhar. Não precisamos das águas, aparentemente boas e até melhores, das nações estrangeiras; pelo contrário, os estrangeiros é que precisam das nossas águas.

Neste contexto, Ellen White escreveu sobre Naamã:

“Não somente foi curado da lepra, mas abençoado com o conhecimento do verdadeiro Deus.” O Desejado de Todas as Nações p. 160.

Portanto, tenhamos muito cuidado em que águas estamos a mergulhar para cura dos nossos males.

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5 comentários em “O que eu aprendi com os mórmons

  1. Irmão Filipe,
    Oro para que Deus continue a enche-lo com o seu Santo Espírito para ajudar a erguer a nossa igreja, para voltarmos para as veredas antigas e sermos verdadeiras testemunhas de Cristo.

  2. Irmão Filipe, muito interessante esse artigo. Muitas vezes vamos beber em cisternas rotas, achando q irão saciar nossa sede e assim somos levados ao engano e por sua vez enganamos os outros.
    Esse artigo também pode ser contextualizado em relação aos louvores de outras denominações q também estão sendo trazidos para nossa Igreja, com “intuito” de evangelizar.
    Somos o povo q tem a verdade, não precisamos da mentira para anunciala ao mundo. Deus nos guie sempre no caminho certo.

  3. Da mesma maneira que eles não aceitam os Adventistas podem aceitar mas não lêem são ipocrtitas.A Bíblia diz que no final dos tempos os seus verdadeiros discípulos iriam fazer milagres tão grande ou maiores do que CRISTO fez ,aonde é que estão os verdadeiros Adventista a fazer,ou será que não são verdadeiros? É emtespeito a EGW será que era Profetiza enganando-se em várias profecias!!!!!!

  4. Bom dia amado irmão Filipe Reis. Concordo plenamente com tudo o que escreveu. É mesmo assim que penso, temos tudo que foi inspirado por Deus e muitos vão beber em fontes contaminadas.
    Vejo nestas atitudes a profecia se cumprindo. Preciamos continuar orando e consagrando nossas vidas para podermos ser selados por Deus, nesses dias solenes que estamos vivendo.
    Que Deus continue usando e abençoando o amado irmão e a sua preciosa família.
    Vitorioso dia de preparação para o Santo Sábado.
    Maranata.

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