A reação daqueles que já estão fartos

No dia 8 de novembro de 2016, o mundo inteiro assistiu quase incrédulo ao maior choque eleitoral da história americana: o empresário Donald Trump vencia as eleições para a presidência dos Estados Unidos da América contra a superfavorita Hillary Clinton.

E se antes da campanha eleitoral assistimos, como seria expectável, a uma crítica feroz a Trump por parte dos seus adversários (o que inclui a imprensa), foi depois da sua vitória que mais testemunhamos essa militância anti-“tudo o que cheira ou pode cheirar a Trump”: populista, intolerante, racista, xenófobo, inimigo da liberdade e fascista são algumas das cortesias que Trump tem recebido ao longo do tempo e deve continuar a receber no futuro.

Em abril e maio de 2017, as eleições em França fizeram soar um alarme generalizado semelhante: Marine Le Pen, candidata pelo principal e histórico partido de extrema-direita, Frente Nacional, conseguiu atingir uma votação recorde, perdendo a presidência apenas na segunda volta para o atual presidente Emmanuel Macron. Rezaram as crónicas que a França e a Europa suspiraram de alívio por Le Pen (que obteve 10 milhões de votos!) não ter sido eleita.

Mais recentemente, foi a vez da Itália: os partidos da direita e extrema-direita foram os vencedores claros das eleições, o que levou a imprensa a perguntar o que irá fazer o presidente italiano, responsável por empossar o novo governo – isto é meio estranho, não acha? Se um partido ganha as eleições e se coliga com outro, o presidente deve respeitar a vontade do povo e dar-lhe posse governamental; qual a dúvida…? Mas enfim, novamente as páginas dos jornais se encheram de manifestações de temor e receio pelo que poderá acontecer.

Outros exemplos com algumas semelhanças poderiam ser os governos do Fidesz na Hungria ou do Prawo i Sprawiedliwość na Polónia, normalmente criticados pelos mass media europeus, com argumentos que não diferem muito dos contextos anteriores. Talvez os fantasmas da primeira metade do século XX europeu estejam ainda bem vivos…

Em todos estes casos, existe um denominador comum: forças políticas avessas e contrárias à esquerda política, secularista e humanista, ganham, através de eleições democraticamente legítimas, o direito a governar, pois essa é a vontade expressa da maioria. E aí, em vez de se respeitar normalmente a vontade do povo, são feitos novos e redobrados esforços, que incluem televisão, jornais, etc., para lançar o descrédito sobre aqueles que atingem o poder e a sua governação.

O que esses ideólogos da esquerda falham em perceber é que é justamente esse seu ativismo arrogante e saturante que tem alimentado estas reações opostas. Ou seja, quanto mais tentam forçar a sua posição, as suas causas fraturantes (belíssima e reveladora expressão) e a sua agenda ideológica, mais revolta silenciosa provocam na outra parte, que, não usando dos mesmos métodos arruaceiros e desordeiros, acaba por ficar tão farta da propaganda de valores que lhe são desconfortáveis, que depois reage nas urnas promovendo e colocando no poder justamente aqueles que mais longe se posicionam dessa esquerda, mesmo que, porventura, assumam os riscos a correr.

Por esta altura, deve estar a perguntar: importa assim tanto esta questão política, quando muito social?

Acompanhe o raciocínio: as pessoas que se revêm em valores religiosos judaico-cristãos, na defesa da família tradicional e da vida humana, etc., estão a começar a reagir com força aos prolongados e intensos ataques que esses mesmos valores têm sofrido nas últimas décadas, pois não mais querem suportar a destruição de uma orientação que, para elas, é a base da própria sociedade.

Assim sendo, e imaginando que os seus opositores secularistas não esmoreçam o combate, até que ponto estão essas pessoas mais conservadoras prontas a ir para defender e sustentar a sua posição? Será que poderão capacitar os seus líderes do uso de todos os poderes e medidas para fazer a sociedade retornar aos tais valores cristãos que têm vindo a ser derrubados? Será que esse retorno aos valores cristãos implicará medidas legislativas (como temos antecipado, por exemplo, nos Estados Unidos)?

Principalmente depois da eleição de Donald Trump, os conservadores como que perceberam que deveriam e conseguiriam aparecer em cena para mudar o estado de coisas. A direita conservadora cristã ganhou um novo fôlego, que se tem sustentado e demonstrado com vigor. E estes resultados eleitorais apenas têm mostrado isso mesmo – o secularismo não vai mais reinar incontestado; os valores cristãos estão aí para a luta e podem não abrandar mais.

Até onde poderão ir? Isso é algo que podemos estar perto de saber.

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