O conflito Israel/Palestina e a propaganda que engana desatentos

Nos últimos dias, muita atenção tem sido dada, mais uma vez, à questão do conflito entre Israel e a Palestina, principalmente após a abertura da embaixada americana em Jerusalém, o que, tacitamente, reconhece esta cidade como capital na nação hebraica.

Na sequência, uma série de confrontos na faixa de Gaza entre palestinianos e forças militares israelitas resultaram na morte de dezenas de palestinianos. Ao que se sabe, nenhum israelita, militar ou civil, perdeu a vida nesta ocasião.

Como já é habitual, começaram a ser divulgadas nos meios de comunicação social, tanto por jornalistas em serviço como pelos opinion makers de plantão, as habituais lamúrias carregadas de vitimização primária, denunciando a vil opressão que Israel provoca aos inocentes e indefesos árabes na Palestina. Desta vez, reparei que a choradeira acusatória mencionou especificamente o racionamento de eletricidade e o impedimento de sair dessa área delimitada.

Mas, e como não podia deixar de ser, o maior culpado de toda esta situação só poderia ser um, proclamado em quase unanimidade também pela imprensa livre do mundo ocidental: o presidente americano Donald Trump, essa figura consagrada como a personificação da atrocidade brutal e sumária, mais ainda por apoiar declaradamente o estado de Israel.

Pois bem, na tentativa de ajudar a alargar um pouco o horizonte, vamos a alguns factos que nos ajudem a perceber o panorama de forma mais esclarecida.

1. O famoso acordo nuclear com o Irão, recentemente revogado por Donald Trump, previa contrapartidas como o levantamento de sanções à nação persa. Resultado? O país pôde negociar mais livremente com o exterior, enriqueceu imenso em dois anos e canalizou muito desse ganho para patrocinar o Hezbollah, uma organização poderosa na política libanesa que não reconhece Israel como estado mas sim como força ocupante e que rejeita qualquer conversação com o governo israelita.

2. No âmbito do mesmo acordo, o urânio enriquecido que o Irão possuía seguiu para a Rússia, em jeito de custódia. A Rússia de Putin é amiga e apoiante de Bashar Al-Assad, presidente da Síria. A Síria de Bashar Al-Assad é acusada pelos Estados Unidos, União Europeia e França de apoiar grupos ativistas e militantes contra Israel. Você fará o favor de deduzir o resto…

3. O Hamas (“Zelo” ou “Entusiasmo” em árabe) é o mais importante movimento terrorista fundamentalista islâmico na Palestina, que inclui um partido político e um braço armado. De natureza antiamericana e antissemita, o Hamas tem como propósito maior a aniquilação, a destruição total do estado de Israel.

Esta organização, remetida atualmente para a faixa de Gaza (também porque não lida muito bem com a Fatah, outra força política palestiniana), reflete bem a cultura vigente na região, ao ensinar as crianças, desde pequenas, que o maior propósito da sua vida é matar judeus. Aliás, ficaram célebres as declarações de Ismail Haniyeh, líder do Hamas, que disse ser uma boa ideia criar um estado hebraico em Israel para todos os judeus viverem, pois dessa forma não precisariam correr o mundo à procura deles para matá-los, acrescentando que acabar com os judeus é um dever religioso.

Em 2011, o mesmo líder condenou a eliminação de Osama bin Laden pelos Estados Unidos, classificando o ex-líder da Al-Qaeda como um guerreiro sagrado.

Foi o Hamas que, na sequência da abertura da embaixada americana em Jerusalém e pré-anunciando mais uma intifada, convocou a população para ocupar as fronteiras da faixa de Gaza, a partir da qual resultaram os incidentes que mataram dezenas de palestinianos. Claro que a culpa foi atribuída ao exército israelita…

Convém acrescentar que desde que os palestinianos ficaram bloqueados em Gaza (com a tal limitação de movimentos e recursos como eletricidade), diminuíram os ataques terroristas em Israel. Há cada coincidência…

4. Israel é a única verdadeira democracia da região (desde o norte de África até ao Afeganistão, incluindo toda a península arábica), o único lugar onde religião não determina necessariamente a política e onde governo e judicial são poderes separados.

Principalmente tendo em conta a volatilidade da região, Israel protege de forma muito eficaz os seus cidadãos, que vivem num país próspero e avançado a vários níveis, de fazer inveja a muitos outros.

Por outro lado, se não fosse o petróleo que alimenta, acima de tudo, as oligarquias dominantes, praticamente todos os outros os países da região arriscariam ser um fracasso total, um falhanço monumental, como se vê por outros locais onde o ouro negro não abunda.

5. Talvez a minha memória não seja a melhor, mas no meio de tudo isto não me recordo de ver aviões sequestrados por judeus atingirem alguma torre em Teerão; não me lembro de ver algum judeu irromper de camião por uma movimentada praça de Damasco; não me lembro de ver algum judeu fazer-se explodir em qualquer autocarro de Riade. Há uma diferença enorme de métodos e propósitos.

6. Dennis Praeger enunciou de forma bem acertada: “Se as organizações árabes dissessem: ‘Vamos parar totalmente a luta’, no dia seguinte haveria paz; se Israel dissesse ‘Vamos parar totalmente a luta’, no dia seguinte todos os inimigos invadiam Israel e destruíam o povo e o país por completo”.

Dito isto, antes de engolir aquilo que a imprensa tendenciosa e os ativistas de esquerda vomitam pelo megafone de propaganda, pense um pouco acerca de quem realmente serão aqueles que mais contribuem para o constante clima de guerra que se vive na região.

Contudo, creio que mais importante ainda será perceber que a preponderância e a prevalência de Israel na região é um fator muito importante para as últimas cenas da história da Terra, conforme o entendimento adventista da profecia bíblica.

Explicando: Israel e os judeus são muito próximos dos evangélicos americanos (mais ainda desde que começou a era Trump). Os líderes religiosos cristãos nos Estados Unidos estão na linha da frente dos apoiantes das medidas que o presidente tem tomado quanto a Israel. Portanto, certamente que a influência dos Estados Unidos na região do Médio Oriente também passa pela confirmação do estado de Israel e a sua autoridade dentro das suas fronteiras.

E aqui introduzimos a questão da cidade de Jerusalém (cujo domínio é uma disputa dentro da disputa maior) – para os judeus, é claro que o Messias ainda virá para reinar em Jerusalém; para os cristãos evangélicos americanos, a interpretação profética dispensacionalista “obriga” a que sejam os judeus a dominarem a cidade que consideram a sua eterna capital.

É verdade que o Messias já veio e também é verdade que a visão dispensacionalista é biblicamente errada; contudo, estas duas leituras unem-se num propósito comum: o estado de Israel deve prevalecer e Jerusalém deve ser a sua capital.

Portanto, nem os Estados Unidos nem Israel irão ceder. Pelo contrário, tudo aponta para que sigam fortalecendo a sua posição. Pensar o contrário é arriscar um sério desapontamento.

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