Trump, Kim e a questão religiosa

Num acontecimento histórico sem precedentes e impensável ainda há poucos meses, Donald Trump e Kim Jong-un, presidentes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte respetivamente, assinaram um documento de compromisso durante a cimeira entre os dois países realizada em Singapura.

O documento, entretanto divulgado pela imprensa internacional, pode ser consultado na íntegra aqui (original americano, em inglês, aqui).

Faltando ainda perceber como tudo se vai concretizar – até mesmo Trump reconheceu que isto é o início de um caminho –, o que sabemos é o suficiente para tirar desde já algumas conclusões.

Donald Trump está no poder há apenas 18 meses e conseguiu algo que vários presidentes americanos não conseguiram (possivelmente nem tentaram) em dois mandatos: após uma série de ameaças violentas, o encontro com Kim produziu uma declaração conjunta para a ação cujo objetivo é acabar com o clima de tensão belicista que há décadas se vive na península coreana, países vizinhos e também entre EUA e Coreia do Norte.

Outra conquista de Trump foi a recuperação dos corpos já identificados dos soldados americanos que caíram em combate durante a guerra da Coreia, com o compromisso de identificar e recuperar os restantes. Certamente que isto irá fortalecer imenso a imagem de Trump junto da generalidade do povo americano, principalmente dos republicanos.

Tudo isto, sem retirar desde já a presença militar americana na região nem aliviar as sanções económicas sobre a Coreia do Norte.

Por estes detalhes, podemos, mais uma vez, confirmar que Donald Trump não hesita nem um momento em assumir os Estados Unidos como o grande líder mundial em termos políticos. Tanto assim é, que os outros principais líderes mundiais têm demorado a reagir aos resultados desta cimeira, e os que o fizeram têm-se mostrado meio renitentes sequer em assimilar a amplitude que este evento tem e ainda pode ter num futuro próximo.

Existe ainda um outro aspeto que pode ter passado despercebido para a maioria dos comentadores mas que nos interessa particularmente: durante a conferência de imprensa que se seguiu ao encontro, e na qual Trump respondeu a perguntas durante uma hora, o presidente americano confirmou que a questão dos cristãos na Coreia do Norte foi mencionada no encontro, deixando no ar a sensação que Kim acolheu a observação de Trump.

Tendo em conta a estimativa de 50.000 crentes detidos por razão da sua fé, para além da perseguição generalizada, este poderá ser um ponto importante a tratar futuramente. Se a isto juntarmos o facto de a maior base de apoio e origem de vários dos conselheiros de Trump estar nos evangélicos americanos, é bem possível que este ponto, embora discretamente, não saia da mesa da conversações.

Em 1992, ainda na sequência da queda do muro de Berlim e da dissolução da União Soviética, o já falecido evangelista Billy Graham visitou a Coreia do Norte e o então líder, Kim Il-sung. Após esse encontro, descrito na altura pela imprensa norte-coreana como “cordial e amigável”, Graham disse: “Penso que haverá algumas mudanças.”

Mais de um quarto de século depois, após a reunião com Trump na cimeira de Singapura, Kim Jong-un prometeu “deixar o passado para trás” e disse que “o mundo assistirá agora a uma grande mudança.”

Será que isto representa uma vontade concreta para a vida do povo da Coreia, incluindo uma abertura para liberdade religiosa? Será que as palavras do famoso evangelista irão ser, na realidade, confirmadas por Kim, abrindo o caminho para o livre exercício do cristianismo naquele país? É verdade que isso é algo que temos de esperar para ver; mas apenas por considerar essa possibilidade, já temos um avanço enorme e, possivelmente, irreversível.

Finalmente, assistimos hoje ao mundo ocidental acordar com a certeza de que, afinal, o impossível pode acontecer rapidamente. Faz lembrar uma célebre afirmação da mensageira do Senhor: “Grandes mudanças estão prestes a operar-se no mundo, e os acontecimentos finais serão rápidos.” Evangelismo, p. 32

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5 comentários em “Trump, Kim e a questão religiosa

  1. Estamos assistindo os rapidos progressos politicos de Donal Trump. Em praticamente em todas as frentes Trump tem conseguido sucessos e assim quando chegar o mês de novembro a maior parte da nação norte-americana votará nos candidatos republicanos. Assim Trump que ja tem a maioria no congresso americano , na suprema corte, também terá maioria de governadores nos 51 estados norte-americanos. Assim tera o poder quase que absoluto. Assim a profecia para a lei dominical podera se cumprir ainda mais rapidamente.

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