Cardeal Peter Turkson: “Separar o Estado e a Igreja é esquizofrénico”

O cardeal ganês Peter Turkson, atual prefeito do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, no Vaticano, e um dos mais diretos colaboradores do papa Francisco, criticou aqueles que “insistem numa clara separação entre a Igreja e o Estado”, acrescentando que tal separação é “artificial”.

Questionado acerca do papel específico que a Igreja Católica desempenha nas relações com os governos, Turkson disse:

“Certamente não somos um governo. Tentamos dialogar com os governos sobre aquilo que acreditamos ser o desenvolvimento. Partilhamos, dialogamos com os Estados. Não impomos, mas falamos do nosso sentido de desenvolvimento, que é inspirado pelo Evangelho. Sabemos que nem toda a gente é cristã. O nosso objetivo não é impor aquilo que sabemos. Queremos entrar em diálogo, conversar juntos, perceber como podemos fazer isto melhor. Partilhamos as nossas reflexões com os estados e eles podem achar as nossas reflexões significativas. É assim que procedemos. Tudo o que fazemos é convidar para o diálogo. Papas anteriores, como Bento XVI, falam do diálogo entre a fé e a razão. A razão da economia, a razão da ciência, a razão de tudo. Mas conversemos. Dialoguemos com a fé. Os governos não devem ter medo da Igreja.”

Na sequência, Turkson foi confrontado com o facto das questões da Igreja deverem estar separadas das questões do Estado. Eis o que ele respondeu:

“É artificial. Quando falamos do Estado, quem são os sujeitos do Estado? A pessoa humana, certo? Quando falamos da Igreja, quem são os sujeitos da Igreja? A pessoa humana. A mesma pessoa, o mesmo sujeito, em duas condições diferentes, mas mantidos afastados. É artificial para a pessoa, torna a existência artificial para a pessoa. Por isso, as duas coisas deviam estar juntas. Para nós, elas pertencem-se mutuamente. É por isso que falamos do diálogo entre as duas e o levamos a várias dimensões. Convidamos empresários e dizemos-lhes: “Alguns de vocês são cristãos. Mas vivem os vossos negócios enquanto empresários e vão à Igreja enquanto pessoas de fé. Isso é artificial. Porque não levam a vossa fé para os vossos negócios? Sejam empresários enquanto pessoas de fé. Deixem a vossa fé inspirar o vosso trabalhar”. Separar os dois é esquizofrénico. Vive-se numa personalidade dividida.”

De imediato, o jornalista questiona o cardeal Turkson: “Mas isso parece-lhe possível?” A resposta do cardeal foi curta e direta:

“O que é único na Europa do século XXI? O que mudou na Europa? A Europa ainda é a Europa.”

Fica claro o pensamento de Roma: convictos de que Igreja e Estado não devem estar separados e cheios de saudades da (velha) Europa onde dominavam como reis e senhores. Sabemos onde isto vai parar.

Apenas relembrando a recomendação inspirada:

“A união da Igreja com o Estado, não importa quão fraca possa ser, conquanto pareça levar o mundo mais perto da igreja, não leva, em realidade, senão a igreja mais perto do mundo.” Ellen White, O Grande Conflito, p. 297.

Com informações de Observador

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