Os adventistas também ficam em casa

Neste Sábado 21 de março, assisti a duas pregações animadoras: a primeira, pelo presidente da União Portuguesa; a outra, pelo presidente da Divisão Sul-americana. Na mesma linha, os dois líderes da igreja incentivaram os irmãos a seguirem com fé, animados e confiantes no Senhor, apesar de todas as adversidades com que estamos atualmente confrontados.

Reparei também que em muitos e diferentes lugares pelo mundo fora, a internet se transformou no recuso número um de pastores, igrejas e membros para que, dentro do possível, se mantenha a ligação entre todos e também os habituais serviços de Sábado, mas não só: aqui em Portugal, houve durante a semana um programa bem construído e preparado para “compensar” os irmãos pelo facto de não poderem estar nas igrejas para a Semana de Oração. Ainda bem que assim é: temos esta ferramenta à nossa disposição e devemos usá-la para colmatar as carências que surgiram.

Tudo isto porque, um pouco por todo o mundo, as igrejas adventistas estão de portas fechadas como medida de prevenção na tentativa de conter a propagação do Covid-19. Certamente que esta é uma decisão que ninguém preferia tomar, mas as circunstâncias a isso obrigaram.

A este propósito, tenho percebido que existe alguma crítica à decisão de suspender temporariamente todas as atividades presenciais, consequentemente encerrando as instalações das igrejas até melhor desenvolvimento do surto epidémico. Falta de fé e confiança em Deus, preferência às ordens dos homens em detrimento das ordens de Deus, talvez sejam as mais destacadas alegações apresentadas.

Gostaria de posicionar-me para discordar totalmente destas acusações.

Em primeiro lugar, os adventistas do sétimo dia reconhecem a autoridade dos homens e do Estado em tudo aquilo que não implique ou viole a autoridade de Deus quanto à nossa liberdade de consciência individual. A título de exemplo: é por isso que, como igreja, podemos ser contra o aborto e a eutanásia, mas não interferimos quando o Estado legisla sobre isso, salvo caso nos obrigasse, forçasse a uma prática contrária aos mandamentos divinos.

No caso concreto do Covid-19, as autoridades do Estado estão a tomar medidas no sentido de proteger a saúde e a vida dos seus cidadãos, sejam eles de que confissão religiosa for. E como os adventistas não vivem isolados uns dos outros e das outras pessoas na sociedade, é do interesse de todos respeitar esta ordem do governo. Digo mesmo que esta ordem é do interesse de Deus, pois certamente que a Sua vontade está na preservação da vida e do bem-estar de todos – e se podemos fazer algo neste sentido e que não viola mandamentos de Deus, por que razão não o haveríamos de fazer?

Em sentido oposto a esta postura, ouvi as declarações de um espalhafatoso pastor evangélico brasileiro afirmando com toda a sua veemência habitual que não vai respeitar a ordem das autoridades do país caso seja ordenado encerrar os espaços das igrejas. Esperamos todos que, caso essa ameaça vá em frente, exista nos membros o bom senso que, claramente, não existe nesse pastor. Caso contrário, seria muito mau uma igreja cristã se tornar uma mini-Itália que ainda acrescenta mais problemas àqueles muitos que já existem. Por comparação, eu não gostaria de ver a Igreja Adventista numa situação destas, por isso fico grato pela sabedoria, pelo que percebo um pouco por todo o mundo, em decidir pelo encerramento temporário dos espaços.

Finalmente, reparei também que as tais acusações surgem não tanto de membros ativos e envolvidos, mas sim daquela trupe de vigilantes ao serviço do inimigo de Deus, sempre prontos a encontrar na Igreja Adventista alguma pequena ferida que logo querem a toda a força transformar numa prova inequívoca de cancro mortal.

Reparei também que esses que agora criticam a decisão de ficar em casa e não frequentar a igreja por algumas semanas, são aqueles que constantemente criticam a igreja, as suas cerimónias e atividades, alegando que, na realidade, o verdeiro povo de Deus está em todo o lado e as “igrejas no fim dos tempos” serão nas casas particulares, devido, não só mas também, à apostasia dos líderes e membros.

Pois bem, agora que surge uma aparente (repito: aparente) oportunidade para vindicar a sua tese, eis que o discurso muda radicalmente – agora a crítica é por ficarmos em casa e não estarmos na igreja.

Portanto, para esses, o que importa é ser contra a Igreja Adventista. E sabe porquê? Não para demonstrar que a Igreja está mal, mas apenas e só para tentar justificar a própria posição. É deixá-los; o seu fim será conforme as suas obras.

Quanto aos adventistas responsáveis, suportemos com paciência e perseverança este tempo de recolhimento e isolamento. Assim que passe, voltaremos a estar na igreja com ainda mais entusiasmo e força, contribuindo e participando na Escola Sabatina, nos Cultos, em todas as atividades. Porque queremos e porque precisamos.

Até lá, que Deus nos mantenha em casa firmes e determinados naquilo que cremos.

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